Problemas respiratórios causados por incêndios são cada vez mais comuns

Nos últimos meses, Brasil, Indonésia e Austrália tem sido notícia devido aos incêndios florestais que acometem as regiões. Além de devastar áreas inteiras, os incidentes tem causado problemas respiratórios em grande parte da população e, em alguns casos, até mesmo causando mortes.

Aliás, você sabia que, em incêndios, a principal causa de morte e necessidade de internação ocorre devido aos problemas causados pela inalação de fumaça?

De acordo com especialistas, cerca de 80% das mortes em casos de incêndio acontecem por causa da inalação de fumaça e produtos químicos, principalmente monóxido de carbônico e cianeto.

Incêndios são um risco à saúde

A fumaça ocasionada pelas queimadas, geralmente, agrava doenças respiratórias, como asma, bronquite, rinite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) devido às partículas presentes nela.

Segundo especialistas, as partículas presentes na fumaça são formadas por compostos químicos que, ao serem inalados, afetam o sistema respiratório, prejudicando trocas entre oxigênio e gás carbônico.

Incêndios florestais tem aumentado o número de casos de pessoas com problemas respiratórios.

Monóxido de Carbono aumenta problemas respiratórios

Já conhecido por seu perigo, quando inalado, o monóxido de carbono (CO) vai direto para o sangue, se conectando à hemoglobina, que tem como função transportar oxigênio para todo o organismo.

Assim, quando há inalação de monóxido de carbono, a hemoglobina não consegue levar oxigênio até as células, desencadeando um processo inflamatório que acomete o coração e o pulmão.

Não à toa, esse processo pode causar morte em alguns casos, especialmente quando a situação é vivenciada por pessoas com os problemas mencionados acima. Além desse grupo, crianças e idosos também estão entre os mais afetados.

Problemas respiratórios: sintomas mais comuns

Entre os sintomas mais comuns estão a tosse seca, falta de ar, dificuldade para respirar, dor e ardência na garganta. Além de, é claro, rouquidão, dor de cabeça, lacrimejamento e vermelhidão nos olhos.

O contato com a fumaça, seja ele direto ou indireto, também tem causado alergias e outras doenças, como pneumonia, problemas cardiovasculares e insuficiência respiratória.

Além disso, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou que a fumaça aumenta a inflamação, o estresse oxidativo e causa danos nas células do pulmão.

Assim, elas perdem a capacidade de sobreviver e morre ou perde o controle celular, evoluindo para câncer de pulmão.

Fumaça tóxica x poluição

Engana-se quem pensa que os problemas respiratórios são agravados ou, em alguns casos, causados somente pela fumaça tóxica proveniente de incêndios e queimadas.

Isso porque, diversos estudos apontam que, entre outros fatores, a poluição nos grandes centros urbanos também aumenta o risco de uma série de doenças. Os problemas, aliás, incluem problemas mentais.

De acordo com especialistas, até mesmo os menores níveis de exposição à partículas poluentes aumentam o risco de mortalidade. Os dados foram obtidos após uma análise em 652 cidades de todo o mundo.

Cabe lembrar que há alguns meses várias cidades do Brasil vivenciaram um fenômeno que ficou popularmente conhecido como “o dia que virou noite”. Na ocasião, o céu escureceu no meio da tarde devido à uma polêmica combinação de uma frente fria com resíduos resultante das queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste do país.

O episódio fez com que os níveis de poluição nas cidades fosse elevado de forma considerável, levando centenas de pessoas à hospitais e centros médicos.

Tratamento imediato auxilia no processo de recuperação

Todo indivíduo exposto a fumaças tóxicas deve procurar um hospital imediatamente ou assim que começar a sentir os primeiros sinais.

Dessa forna, no local é importante avaliar o padrão respiratório e as condições de todo o sistema, evitando que haja obstrução total ou parcial da passagem de ar. Em alguns casos é preciso entubar o paciente de forma a garantir a permeabilidade das vias respiratórias.

Para especialistas, é primordial impedir a insuficiência respiratória, que é uma das principais causas de mortes em pacientes submetidos à fumaças de incêndio ou poluição.

Além disso, é importante que as pessoas que foram expostas à situações desse tipo fiquem em observação por, pelo menos, 24 horas, já que o edema das vias aéreas pode demorar algumas horas para surgir.

A procura pelo tratamento adequado reduz de forma sensível o risco de grave lesão nas vias respiratórias e, consequentemente, a insuficiência respiratória.

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