Incêndio na Mata Atlântica coloca aldeias indígenas em risco

No final de junho, um incêndio na Mata Atlântica deixou ao menos seis aldeias indígenas, localizadas na zona norte de São Paulo, em risco. A fumaça podia ser vista dos bairros nas proximidades do Pico do Jaraguá, como Pirituba e Perus.

A população local tentou combater a extensa área que faz parte do Pico do Jaraguá, mas não havia água suficiente.

Os líderes indígenas do Jaraguá pediram ajuda de grupos apoiadores pelo WhatsApp por volta das 11 horas, assim que identificaram o foco do incêndio.

Incêndio na Mata Atlântica deixou centenas de aldeias indígenas localizadas na zona norte de São Paulo em risco.
Foto: divulgação/Corpo de Bombeiros

Ao longo do dia, o Corpo de Bombeiros usou caminhões para combater os focos de incêndio, mas as labaredas não puderam ser totalmente controladas porque o fogo se espalhou para locais de difícil acesso e a corporação não pôde utilizar helicópteros para auxiliar na ação, especialmente no período noturno.

Com isso, mesmo depois de muitas horas de trabalho, os brigadistas foram embora sem que todo o fogo pudesse ser controlado. As chamas continuaram altas e atingiu a Mata Atlântica preservada, no sentido aldeia do Itakupé. Na região, encontram-se seis aldeias indígenas.

Ainda não se sabe a causa do acidente.

Fornecimento de água foi interrompido por incêndio na Mata Atlântica

Além da ausência de helicóptero de suporte e da presença do Corpo de Bombeiros no período noturno, o fogo que atingiu um pedaço da aldeia, onde moram aproximadamente 62 pessoas, fez com que o fornecimento de água fosse interrompido. Isso porque o encanamento que abastece o local se rompeu, deixando a área sem água. 

Dessa forma, os moradores não conseguiram conter os focos de incêndio de forma eficaz, já que tentavam fazer o combate com vassouras feitas com as árvores. Ainda assim, nenhuma casa foi atingida e ninguém ficou ferido. O fogo foi extinto durante a noite.

Incêndio atingiu a área em 2019

Um incêndio de pequenas proporções atingiu o Parque do Jaraguá em novembro de 2019, sem  vítimas. O foco maior foi extinto rapidamente, apesar do fato de que as chamas afetaram um local de difícil acesso. A brigada do parque ajudou nos trabalhos.

O incêndio assustou indígenas da aldeia Pyau, que fica próxima da entrada do parque, devido à grande fumaça que tomou conta da região.

Na ocasião, o Corpo de Bombeiros afirmou que o fogo que tomou conta da região aconteceu, provavelmente, por causa do tempo. Isso porque, casos de incêndio em vegetação se multiplicaram nos meses subsequentes por causa do tempo seco.

Terras são alvo de disputa

Em março, os indígenas Guarani Mbya deixaram o terreno da construtora Tenda localizado na região do Pico do Jaraguá. A ocupação se dava desde dia 30 de janeiro.

O grupo desocupou o terreno, apesar de ter permanecido acampado com vigília em frente à obra da Tenda, até que a Prefeitura de São Paulo reveja as licenças ambientais dadas à construtora, autorizando a derrubada de árvores em 50% do terreno.

No local, a construtora pretende construir 880 unidades de apartamentos para moradores de baixa renda. Os indígenas, por sua vez, querem que a área seja destinada à criação de um parque ecológico e um Memorial da Cultura Guarani.

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